Autoexílio de Caio Fernando Abreu é tema de espetáculo no Teatro da USP

Baseado em dois contos do autor, Amarelo Distante reproduz seu universo mental em encenação minimalista

A partir de 9 de setembro, entra em cartaz no Teatro da USP o espetáculo Amarelo Distante. Baseado em contos de Caio Fernando Abreu, com dramaturgia e direção de Kiko Rieser e atuação de Mateus Monteiro, o espetáculo gratuito fica em cartaz até 1º de outubro. As apresentações acontecem aos sábados, às 20h, e domingos, às 18h.

Nos anos 70, o escritor gaúcho exilou-se em Londres, e ali enfrentou a solidão, a sensação de estrangeirismo, a precariedade e a falta de dinheiro, sentimentos ambíguos e saudosos do Brasil, da família e dos amores – passados, presentes e, possivelmente, futuros. Dessas angústias nasceu um diário, mistura de ficção e realidade, que resultou em um dos contos que servem de fio condutor para o espetáculo.

Lixo e Purpurina, talvez o mais seco conto do autor gaúcho, estrutura-se a partir do diário de Londres e narra as adversidades sofridas em terra estrangeira. Os repetidos entreveros com policiais, uma curta estada na cadeia por roubar um livro, os diversos trabalhos e atividades que fazia para se sustentar, os constantes despejos de casas que ocupava com outros imigrantes de diversos países são descritos com objetividade, precisão e até certo distanciamento. É também base para a dramaturgia o conto Anotações sobre um Amor Urbano, um de seus textos mais líricos. Sem enredo, é a evocação de um amor passado, composta de uma sucessão de imagens poéticas que denunciam a solidão, o abandono, a repressão dos desejos, e a alteridade, bem como as consequências de escolhas errôneas.

Sinopse

Em sua segunda temporada, Amarelo Distante não se fixa nos contos, mas parte deles para construir uma fabulação própria. Baseado na estrutura fragmentária do diário, a dramaturgia narra o autoexílio em Londres, intercalado por evocações de diferentes amores do presente, do passado e, talvez, do futuro, que surgem como válvulas de escape que tornam possível a sobrevivência e enriquecem um pouco o imaginário de uma personagem em completa miséria material e emocional. Passando ao largo do realismo, a encenação minimalista cria imagens que tentam reproduzir o universo mental do personagem em exílio.

Ficha técnica

Direção: Kiko Rieser | Texto: Kiko Rieser, baseado em contos de Caio Fernando Abreu | Elenco: Mateus Monteiro | Figurino: Cássio Brasil | Iluminação: Karine Spuri | Trilha Sonora: Kiko Rieser e Vanessa Bumagny | Fotografia: Heloísa Bortz | Arte Gráfica: David Schumaker | Produção: Kiko Rieser | Produtor associado: Mateus Monteiro | Realização: Rieser Produções Artísticas

Serviço

Amarelo Distante
Onde | Teatro da USP – Rua Maria Antônia, 294, São Paulo – SP
Quando | 09/09 a 01/10 | Sábado, 20h, e domingo, 18h
Quanto | Gratuito

Por Teatro da Universidade de São Paulo

Amarelo Distante
  • TUSP | Sala Experimental
    • aos finais de semana