Projeto expõe limiar entre dança, performance e artes visuais

Três artistas propõem diferentes discursos em Corpoinstalação

 

Texto Sandra Lima

 

O limiar entre a dança, a performance e as artes visuais é o mote do projeto Corpoinstalação, que ocupará uma sala no edifício Joaquim Nabuco do Centro Universitário Maria Antonia da USP a partir de 22 de março de 2019, durante três semanas, de quinta a domingo.

A proposta é que a cada semana um artista convidado seja responsável pela mostra de um “Corpoinstalação”, que reinventa o corpo em um processo pautado por relações entre poéticas artísticas distintas e entre corpo e ambiente.

A professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Helena Bastos, curadora do projeto, ressalta que “muito se tem falado sobre contaminações entre dança e performance. Em ambas, conecta-se uma dramaturgia amparada por ações do corpo na exploração de um tempo presente”.

 

Confira a programação:

 

De 22 a 24 de março (sexta, sábado e domingo) a partir das 17 horas

 

Agnes & Alice

 

A intérprete Eliana de Santana realiza uma instalação coreográfica criada por ela, em parceria com o artista visual da cena Hernandes de Oliveira. O tema e a inspiração em artes plásticas e música contribuem na investigação de uma poética ligada à temática do sujeito anônimo. A referência a Agnes Martin (pintora) e Alice Coltrane (pianista e compositora) apresenta duas mulheres artistas que escolheram o isolamento e a busca interior para trabalhar em suas respectivas obras.

Responsáveis: Eliana Santana (intérprete) e Hernandes de Oliveira (cocriador)

Sobre os artistas

Eliana Santana é artista da cena e intérprete de dança. Inicia-se no teatro em 1984. Em 1996, estreia seu primeiro trabalho autoral Tragédia Brasileira. Seu solo Francisca da Silva de Oliveira – Chica da Silva – Um Esboço é contemplado com o Prêmio Funarte de Dança Klaus Vianna. Com …e das outras doçuras de deus, inspirada em Clarice Lispector, recebe o Prêmio APCA 2011 na categoria Intérprete/criadora. Ao lado de Hernandes de Oliveira, artista visual da cena, cria a E² Cia de Teatro e Dança, onde realiza uma pesquisa em dança contemporânea que tem como ponto de partida a referência/inspiração na literatura brasileira e na obra de diversos artistas visuais, investigando poéticas ligadas à temática do sujeito anônimo.  

Hernandes de Oliveira é iluminador e artista visual ligado à construção cênica. Atua em companhias de dança e teatro em São Paulo desde 1986. Atualmente participa do Núcleo de Improvisação dirigido por Zélia Monteiro, onde realiza pesquisa com iluminação cênica aplicada ao improviso. Na E² Cia. de Teatro e Dança, dirigida pela intérprete Eliana de Santana, atua como diretor artístico, além de criar iluminação e cenografia. Realizou projetos de luz para vários artistas da dança contemporânea paulistana tais como: Cláudia Palma, Wellington Duarte, Maura Baiochi, Marcos Sobrinho, Geórgia Lengos e Beth Bastos.

 

De 28 a 31 de março (quinta a domingo), a partir das 16 horas

 

: Movimento Contínuo : Árvore Arame Bambu :

 

Instalação sonora de Thembi Rosa e O Grivo e composição interativa com os bambus da intervenção urbana Parquear Bando na galeria e espaço externo.

Responsáveis: Thembi Rosa e O Grivo

Sobre os artistas

Thembi Rosa é artista, produtora, pesquisadora. Doutoranda em Artes na linha de pesquisa Poéticas Tecnológicas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),  bolsista Proex/CAPES, mestre em dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e graduada em Letras pela UFMG. Integra o Dança Multiplex e a CasaManga em BH. Desde 2000, desenvolve vários projetos em parceria com o duo musical O Grivo e com artistas da dança, artes visuais e digitais. Realiza performances, a intervenção urbana Parquear Bando com Margô Assis, Dorothé Depeauw e convidados; instalações digitais em vídeodança e mapping com Lucas Sander; além de pesquisas em interações entre sons, movimentos, imagens e acervos digitais em dança. Foi contemplada pelos Rumos Dança (2004; 2012-2014); Filme Minas (2011); Funarte Klauss Vianna (2008; 2010). Seus trabalhos também  foram apresentados em diversos festivais de dança no Brasil.

 

Em fins de 1990, O Grivo realizou seu primeiro concerto em Belo Horizonte, iniciando suas pesquisas no campo da “Música Nova”. Interessado na expansão do seu universo sonoro e na descoberta de maneiras diferentes de organizar suas improvisações, o grupo vem desenvolvendo sua linguagem musical. Em função da busca por “novos” sons e por possibilidades diferentes de orquestração e montagem, O Grivo trabalha com a pesquisa de fontes sonoras acústicas e eletrônicas, com a construção de “máquinas e mecanismos sonoros”, e com a utilização, não convencional, de instrumentos musicais tradicionais. Em consequência desta pesquisa, que leva ao contato com os objetos e materiais mais diversos, cresce a importância das informações visuais e da sua organização nas montagens do grupo. A isto se soma um diálogo, também ininterrupto, com o cinema, vídeo, teatro e a dança. Nas instalações/concertos o espaço de fronteira e interseção entre as informações visuais e sonoras é o lugar onde se constrói nossa experiência com conceitos como textura, organização espacial, sobreposição, perspectiva, densidade, velocidade, repetição, fragmentação, etc. A proposição de um estado de curiosidade e disposição contemplativa para a escuta e a discussão das relações dos sons com o espaço são as ideias principais sobre as quais se apoiam os trabalhos do grupo. Seus trabalhos foram apresentados no MOMA SF; na 28a Bienal de SP; no Sesc SP; Galeria Nara Roesler; no MAR (RJ); Multiplicidade; em Gijón na Espanha; dentre outros.

 

De 4 a 7 de abril (quinta a domingo), às 18 horas

 

Procedimento 2 para lugar nenhum (parte do projeto Pequenos estudos para não morrer…)

 

“Tempo suspenso entre um instante e outro, uma ação e outra. No alargamento deste intervalo do tempo, o corpo se exaure, esvazia, dissolve seus contornos e limites. O silêncio, o desaparecimento, a inoperância se instauram não como passividade, mas como resistência. Zona de incertezas, rupturas, vazios, sem tempo, sem começos, sem fim…..”

Responsável: Vera Sala

 

Sobre a artista

Criadora e pesquisadora em dança, tem um percurso de pesquisa e criação artística desde 1987. Desenvolveu as instalações coreográficas ou Corpo Instalação que se dedicaram a pesquisar como o corpo transborda-se em qualidades de espacialidade para a composição de ambientes, modificando-os e sendo modificado por eles. Entre suas criações, destacam-se Estudo para Macabea (1999), Corpos ilhados (2001), Impermanências (2005), Pequenas mortes (2007), Procedimento dois – pequenas mortes (2008), Pequenos fragmentos de mortes invisíveis (2009/2010), Descontinuidades (2011/2012), Dobras (2011/2012), “Estudo para lugar nenhum” (2014), “Procedimento 2 para lugar nenhum” (2016). Recebeu vários prêmios como o APCA, Mambembe, além de indicações aos Prêmios Governador do Estado (2014) e Bravo (2006) e 2007. Professora do Curso de Comunicação das Artes do Corpo, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), desde 1999.

 

Serviço

Corpoinstalação

 

Agnes & Alice, com Eliana Santana – de 22 a 24 de março

: Movimento Contínuo : Árvore Arame Bambu : , com Thembi Rosa e o Grivo – de 28 a 31 de março

Procedimento 2 para lugar nenhum, com Vera Sala –  de 4 a 7 de abril

 

Onde |  Centro Universitário Maria Antonia – Edifício Joaquim Nabuco

Rua Maria Antonia, 258 – Vila Buarque – São Paulo, SP (próximo às estações Higienópolis e Santa Cecília do metrô)

Quando | De 22 de março a 7 de abril

Visitação | quinta a domingo, às 18 horas (exceto Agnes & Alice)

Classificação | Livre

Quanto | Grátis

Informações | (11) 3123-5202

Por Centro Universitário Maria Antonia

Projeto expõe limiar entre dança, performance e artes visuais
  • Centro Universitário Maria Antonia
    • Quinta, Sexta, Sábado e Domingo
    • Das 16:00 às 19:00