Peça da escritora mais publicada da Primeira República é lida no Teatro da USP

Indicada ao grupo fundador da Academia Brasileira de Letras, Júlia Lopes de Almeida não foi aceita por ser mulher

No dia 29 de novembro, às 20h, o TUSP (Teatro da USP) sedia uma leitura de A Última Entrevista, de Júlia Lopes de Almeida, publicada pela primeira vez no livro A (In)visibilidade de um Legado, da pesquisadora Michele Asmar Fanini, que falará da autora e de sua importância para nossa literatura. A leitura é gratuita, aberta ao público em geral e contará com a presença de Claudio Lopes de Almeida, neto da escritora e legatário de seu arquivo pessoal.

Escritora mais publicada da Primeira República e prolífica cronista, teatróloga e abolicionista, a carioca Júlia Lopes de Almeida (1862-1934) foi única mulher a fazer parte do grupo de intelectuais que fundaria a Academia Brasileira de Letras (ABL). Lúcio de Mendonça, um dos idealizadores da instituição, indicou seu nome para figurar entre os membros fundadores, mas Júlia, por ser mulher, não foi aceita.

Em A Última Entrevista, ela aborda um dos temas que mais lhe eram caros: a assimetria nas relações entre os gêneros. Um tenso diálogo se trava entre Carolina, uma jovem e sonhadora costureira, e seu suposto pretendente, o rico Raimundo. Este, embriagado, revela em suas falas o preconceito de classe e a estigmatização feminina.

No livro A (In)visibilidade de um Legado (Intermeios/FAPESP), a pesquisadora Michele Asmar Fanini traz a público um repertório de textos dramatúrgicos inéditos de Júlia Lopes de Almeida. Em seu conjunto, os textos oferecem uma pintura multicolor das práticas e costumes urbanos característicos da sociedade brasileira do entresséculos, em que se destacam temas como a escravidão, a educação e profissionalização da mulher, a assimetria das relações de gênero, a estratificação social e o preconceito de classe. O livro ressalta a versatilidade de Júlia e pretende não somente contribuir para o redimensionamento do legado da autora, mas para os estudos voltados à memória das artes dramáticas na chamada “belle époque tropical”, na qual dramaturgas estão sub-representadas, quando não eclipsadas.

Michele Asmar Fanini, graduada em ciências sociais e mestre e doutora em sociologia pela FFLCH USP realizou estágio pós-doutoral no Instituto de Estudos Brasileiros – IEB / USP, com financiamento da FAPESP, da qual resultou este livro.

Serviço

Leitura de pública de “A Última Entrevista”
Onde | Teatro da USP – Rua Maria Antonia, 294
Quando | 29 de novembro, às 20h
Quanto | Gratuito

 

Por Teatro da Universidade de São Paulo

Leitura: A Última Entrevista, de Júlia Lopes de Almeida
  • TUSP
    • Quarta
    • A partir das 20:00.