Expedição científica de naturalistas alemães retrata o Brasil do século 19

A jornada de Spix e Martius, ocorrida há 200 anos, ajudou a criar o desenho do nosso país e é tema da nova mostra da Biblioteca Brasiliana da USP

Por Geovana Pereira
20/2/2019 13h45

 

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin abre ao público no dia 11 de março a  exposição itinerante “Viagem de Spix e Martius pelo Brasil”. Com curadoria da historiadora Karen Macknow Lisboa e do professor de literatura Willi Bolle, a realização é do Instituto Martius-Staden e do Colégio Visconde de Porto Seguro.

Ao visitar a exposição, o público poderá conhecer mais sobre o Brasil de cerca de 200 anos atrás, quando Johann Baptist von Spix – doutor em Medicina, porém apaixonado pelas Ciências Naturais – e Carl Friedrich Philipp von Martius – médico, naturalista e botânico – partiram para uma expedição de três anos que contornou o país, do Rio de Janeiro à Amazônia. A aventura dos alemães resultou inicialmente nos três volumes do livro “Reise in Brasilien” (“Viagem pelo Brasil”, em português) e um legado excepcional para os estudos culturais, históricos e naturais.

A exposição tem como objetivo celebrar os diversos aspectos da longa caminhada empenhada pelos viajantes, além de traçar paralelos. O curador Willi Bolle veio da Alemanha para o Brasil em 1966 e tem se dedicado há anos a pesquisar a topografia cultural da metrópole São Paulo, passando pelo sertão, até a Amazônia. “Nesse sentido, o trajeto é praticamente o mesmo e no meio do percurso eu descobri que os meus inspiradores foram Spix e Martius”, conta.

Um retrato de Brasil

Presente e passado se juntam nos 21 banners que compõem a mostra. As gravuras históricas que acompanham os livros são comparadas com fotos recentes tiradas por Willi Bolle e Eckhard Kupfer, diretor do Instituto, em viagens que buscam retraçar os passos dos cientistas europeus. Eles já passaram por Minas Gerais, Bahia e em breve visitarão a região amazônica.

É notável a mudança das paisagens motivadas por desmatamento, desastres e crimes ambientais. “A mineração excessiva, observaram Spix e Martius, causa a destruição do meio ambiente. Foi uma advertência premonitória, como mostrou o desastre ambiental ocorrido no município de Mariana em 2015, quando o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração causou a destruição das comunidades de Bento Rodrigues e Paracatu”, destaca Bolle.

Durante os mais de dez mil quilômetros percorridos, Spix e Martius coletaram dezenas de milhares de amostras de plantas, animais, artefatos e anotações. Entre as mais de 3.000 espécies de animais catalogadas pela primeira vez, algumas delas acabaram sendo batizadas em homenagem aos pesquisadores, como a Cyanopsitta spixii, mais conhecida como ararinha-azul, que infelizmente encontra-se extinta na natureza.

Publicações e pesquisas

Há também as publicações no campo científico, nas quais os autores descrevem e ilustram detalhadamente aspectos da exuberância natural do Brasil, com destaque para Flora Brasiliensis, que ainda é considerada a mais importante obra sobre a botânica brasileira. “Frey Apollonio”, escrito em 1831 por Martius e publicado somente na década de 1990, pode ser considerado o primeiro romance sobre o Brasil.

Sob coordenação de Daniela Rothfuss, responsável pelo arquivo do Instituto, a mostra também apresenta os resultados das pesquisas dos curadores e dos pesquisadores Luís Fábio Silveira, do Museu de Zoologia da USP, e Gabriele Herzog-Schröder, da Universidade Luís Maximiliano de Munique.

Serviço

Exposição “Viagem de Spix e Martius pelo Brasil”
Abertura | 11 de março de 2019, segunda-feira, às 12h
Visitação | De 12 de março a 26 de abril – das 8h30 às 18h30 (segunda a sexta-feira)
Onde | Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) – Sala Multiuso
Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, Butantã, São Paulo – SP
O local possui acessibilidade para cadeirantes
Quanto | Gratuito
Agendamento de Monitoria | educativo@bbm.usp.br

Por Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin

Exposição
  • Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin
    • de Segunda a Sexta
    • Das 08:30 às 18:30
    • Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, Butantã
    • São Paulo - SP - SP
    • CEP: 05365-010
    • obs: Abertura 11 de março, às 12h