Ritos de passagem ou de iniciação marcam a transição de um status social para outro e são relacionados às mudanças mais significativas pelas quais passamos em nossas vidas, como nascimento, batismo, debutante, formatura, casamento e morte. A entrada na Universidade de São Paulo é uma conquista que marca a transição e a transformação na vida do estudante.

Conquistar uma vaga na Universidade de São Paulo é o término de um ciclo bem sucedido e inicio de outro. Infelizmente, e em alguns casos, o “trote” se tornou um rito com demonstrações de abuso, violência e humilhação. Impor ações humilhantes como dançar e andar desconfortavelmente, usar acessórios cômicos, cortar o cabelo, pintar o rosto e sujar a roupa pode até parecer engraçado e divertido, desde que não seja imposto ou forçado. Entretanto, o que acontece em alguns casos é a imposição para o calouro (aluno ingressante) participar dessas atividades. Muitos se sentem coagidos e temem por retaliação caso não aceitem, humildemente, participar e executar tais mandos dos veteranos (alunos mais antigos). Muitos levam seus pais para protegê-los, ou ainda não participam das atividades de recepção de calouros com a intenção de evitar tais constrangimentos. O uso de álcool também é constante nesse rito, onde os calouros são forçados a ingerir diversas bebidas alcoólicas até ficarem completamente intoxicados e vulneráveis. O abuso físico também foi registrado.

A Universidade de São Paulo tem o propósito de formar universitários com senso de responsabilidade coletiva e de cidadania, e instituiu desde 1998 (Portaria GR3143 de 10.12.1998) a Semana de Recepção de Calouro que promove a maior integração entre os estudantes fundamentado nos valores acadêmicos. Na sua programação as aulas regulares são substituídas por diversas atividades como palestras, oficinas, bate-papos com egressos, campanhas educativas e ações sociais, que apresentam o ambiente universitário como fonte de solidariedade e socialização dos seus saberes para a transformação e o desenvolvimento social.

Práticas saudáveis e beneficentes como doação de sangue; plantio de árvores; arrecadação e doação de alimentos, roupas e brinquedos; visitas a instituições que acolham crianças e idosos; cuidado com o patrimônio público como pintar muros de escolas; plantio de horta comunitária e produção de composteira; coleta de lixo e combate ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya; entre outras, integram os alunos universitários (ingressantes e antigos) entre si e na comunidade. Tais ações têm sido consideradas como trote solidário, cidadão, legal ou cultural e que beneficia a todos envolvidos.

Sem dúvidas, devemos proibir, inibir e prevenir casos de abusos e violências nos trotes que possam resultar em lesões físicas, humilhações, assedio e ate na morte de alunos ingressantes. Desta maneira, o Programa USP Diversidade, vinculado ao Núcleo de Direitos da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, desenvolve ações e políticas de combate ao preconceito e à discriminação (gênero, sexual, étnica) e que estimulam a solidariedade, a promoção aos direitos humanos e incentivam a inserção de atividades cívicas e sociais, além de implantar medidas preventivas de abuso e violência nos trotes.

Calouro/a você não deve e não precisa participar de qualquer atividade que considere desagradável, preconceituosa, violenta, agressiva ou constrangedora. Caso você seja ou se sinta forçado/a participar desse tipo de atividade, denuncie!

A denúncia pode ser realizada no site da ouvidoria, inclusive de forma anônima:

Nas primeiras semanas do ano letivo, qualquer caloura ou calouro da USP que se sentir vítima de tratamento inadequado que cause, a quem quer que seja, agressão física, moral ou outras formas de constrangimento, dentro ou fora do âmbito da Universidade, poderá fazer a denúncia por meio dos canais de atendimento do Disque Trote.

O Disque Trote, que atende pelo número 0800-012-1090, fica ativo na semana de recepção de calouros, de segunda à sexta-feira, das 9 às 21 horas. Além do atendimento por telefone, as denúncias também podem ser feitas pelo e-mail disquetrote@usp.br

Veja

Veja também

Como denunciar casos de discriminação, violência e assédio na USP

Por Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária