
“Nós, da comissão julgadora desta edição do Nascente USP, procuramos contemplar as diversas linguagens apresentadas pelos artistas inscritos. Optamos, ao longo de nosso debate, estabelecer critérios justos e claros: apontar trabalhos que já expressam uma maturidade na elaboração, experimentações que testam os limites da linguagem escolhida e temas complexos que revelam conexão com problemas atuais. Mas sabíamos também, que qualquer julgamento não contemplaria a totalidade das manifestações. Isso não significa demérito dos não aceitos. Apenas demonstra que seria impossível julgar e não escolher.
Os trabalhos selecionados, na sua maioria, apresentam uma formatação eficaz de conteúdos presentes no que seria o panorama contemporâneo, implicando em uma visão crítica deste, evidenciada por escolhas que podem ser tanto políticas quanto estéticas.
Isso se torna visível principalmente na transitoriedade, na indefinição e na ambiguidade, conteúdos constitutivos de nossa forma social. Sabemos que toda forma social encontra projeção também na forma artística e notamos que, nestes trabalhos, essa questão se torna flagrante. As obras selecionadas são, neste sentido, aquelas que conseguiram unir com êxito essa forma social a procedimentos plásticos.
Esperamos com isso, também, propor uma reflexão sobre a produção artística na universidade, oferecendo assim uma ocasião para um debate sobre as diversas questões e formas aqui surgidas.
Como já disse Paul Klee, a arte não reproduz o visível, torna visível as coisas. Este pensamento esteve subjacente a todo processo de seleção e premiação. Em tempos sombrios e incertos, como o que estamos vivendo, a prática artística, na sua forma mais ampla e plural, é aquilo que torna a realidade menos rarefeita, nos encorajando para seguir em frente”.