Brinquedos e Brincadeiras na Casa de D. Yayá

Brinquedos e Brincadeiras é o tema da programação especial que o Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP oferece para o público no próximo domingo, dia 20, das 10h às 15h, na Casa de Dona Yayá, com entrada gratuita.

A programação marca o aniversário de nascimento de Sebastiana de Mello Freire, chamada Dona Yayá, última moradora da casa que hoje leva seu nome, nascida em 21 de janeiro de 1887. Educadores e monitores vão receber crianças e adultos para participarem de oficinas de confecção de brinquedos e atividades de interação com brincadeiras comuns no final do século XVIII e início do século XIX, como jogos de roda, cobra-cega, esconde-esconde. No encerramento haverá participação do Bloco Dona Yayá, criado pela organização União de Mulheres de São Paulo, que vai apresentar suas marchinhas para o Carnaval de 2019.

“Cenas Infantis e Brinquedos da Infância” no Museu da Educação e do Brinquedo (MEB) da Faculdade de Educação (FE).
Fotógrafo: Marcos Santos / USP Imagens

BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS

No início do séc. XX as brincadeiras aconteciam ao ar livre: pião, jogos de roda, brincar de esconde, cabra-cega, futebol com bolas feitas com retalhos de tecidos e meias velhas. As crianças mais ricas tinham acesso à brinquedos industrializados, como cavalinhos de balanço, a carrosséis de corda, barcos com motor, bonecas de porcelana, soldadinhos de chumbo, marionetes, carrinhos, comboios (trens). Entretanto, muitos brinquedos ainda eram confeccionados em casa, com materiais simples como madeira, trapos, pasta de papel ou folhas de estanho, que serviam para criar bonecas de pano, brinquedos em miniatura imitando animais, barcos etc. Com as transformações do modo de vida nas cidades, e principalmente com os novos hábitos decorrentes do desenvolvimento tecnológico, as atividades infantis foram se adaptando às mudanças socioculturais: algumas brincadeiras permanecem, enquanto outras surgem a partir das inovações e invenções da humanidade.

A proposta do Centro de Preservação Cultural da USP é que, a partir da memória das brincadeiras de antigamente, crianças e adultos possam vivenciar diferentes modos do brincar. Vamos reviver um tempo em que não existiam os aparelhos eletrônicos, celulares e internet, recursos que transformaram significativamente não só a relação com brinquedos e brincadeiras, mas até mesmo a convivência social.

Bloco Dona Yayá percorre a Bela Vista e termina cortejo na Casa de Dona Yayá. Foto: Divulgação/Acervo CPC.

 

CARNAVAL DA YAYÁ

O Bloco Dona Yayá foi criado pela União de Mulheres de São Paulo, organização não governamental, sediada no bairro da Bela Vista  que realiza atividades como cursos,  eventos como seminários, rodas de conversa e atos públicos,  voltados para a defesa dos direitos da mulheres no Brasil e o debate de questões que  afligem as mulheres  em todo o mundo.  O bloco, além de celebar o carnaval, há mais 18 anos percorre as ruas do Bixiga pautando questões de gênero, saúde mental e a memória de Dona Yayá nas letras das suas marchinas.  O cortejo acontece sempre na semana que antecede ao Carnaval, com concentração na Rua Coração da Europa, 1395, onde está localizada a sede da organização. O trajeto termina na Casa de Dona Yayá, em homenagem à memória dessa figura feminina. Em 2012, como parte do projeto Bixiga em Artes e Ofícios, o CPC registrou em vídeo as atividades do bloco: https://vimeo.com/48027866.

QUEM FOI DONA YAYÁ
Nascida em 21 de janeiro de 1887, de família pertencente à elite paulistana, Sebastiana Melo Freire, a Dona Yayá, tem uma comovente história de vida.  Ainda na infância sofreu a perda de duas irmãs, viu-se órfã aos 12 anos de idade e aos 18 foi surpreendida pela notícia da morte do único irmão, que teria se atirado ao mar durante um acesso de insanidade mental.  Sendo a única de sua família, e sem ter se casado, vivia em um palacete na Rua Sete de Abril, no centro de São Paulo,  cercada por amigos e parentes distantes.  Em 1919, após apresentar recorrentes sinais de desequilíbrio emocional e tentativas de suicídio, foi internada em um hospital psiquiátrico e tida como incapaz de administrar a fortuna da qual era a única herdeira. Sua interdição causou comoção na sociedade paulistana, gerando uma série de artigos publicados pelo jornal sensacionalista “O Parafuso”. Um ano depois, Dona Yayá passou a receber  tratamento em casa, onde receberia melhores cuidados, sob acompanhamento médico. Foi escolhida como moradia uma chácara localizada nos arrabaldes da cidade, local tranquilo e afastado do burburinho urbano. Dona Yayá viveu nessa casa acompanhada de seus cuidadores por 40 anos, até  seu falecimento, em 1961 – a maior parte do tempo passava encerrada em aposentos que foram adaptados para sua segurança,

A CASA DE DONA YAYÁ

Sede do CPC-USP desde 2004, a Casa de Dona Yayá foi transferida em 1969 à Universidade de São Paulo, uma vez que sua proprietária não deixou herdeiros. Passou, ao longo das últimas décadas, por cuidadosos trabalhos de conservação e restauro que abrangeram a recuperação do imóvel, restauração das pinturas interiores e dos jardins.  Com base nessa rica história material e imaterial, a Casa de Dona Yayá foi tombada pelo Estado de São Paulo, em 1998, e pelo Município, em 2002.  O CPC-USP promove a valorização desse imóvel através de sua abertura ao público, incentivando reflexões a respeito de sua arquitetura, da história do bairro e da personagem Dona Yayá.

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PROGRAMAÇÃO 

DOMINGO NA YAYÁ

BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS
20 de janeiro
Grátis

VISITAÇÃO: 10h às 15h

OFICINAS : 10h30 às 13h30
Educadores e monitores vão receber crianças e adultos para oficinas de confecção de brinquedos e atividades de interação com jogos e brincadeiras do final do século XVIII e início do século XIX.

CARNAVAL DA YAYÁ: 13h30 às 15h
Participação do bloco de rua criado pela União de Mulheres de São Paulo que homenageia Dona Yayá e chama a atenção para os direitos das mulheres, com suas marchinhas para o Carnaval de 2019.

CPC-USP/Casa de Dona Yayá

Endereço:  Rua Major Diogo, 353, Bela Vista – São Paulo – SP

Entrada gratuita

Por Centro de Preservação Cultural

BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS