
“O ano de 2018 no projeto Nascente apresentou na área de artes cênicas oito trabalhos inscritos nas diferentes categorias de direção, interpretação individual e interpretação de grupo.
Como marcas desses trabalhos: a criatividade e a sensibilidade de abordar temáticas relevantes e em destaque na sociedade e na universidade hoje.
Selecionamos quatro obras finalistas. Duas delas concorrendo como direção: “Alfaces, da mesa à cena” e “Mariposas”; e outras duas finalistas como interpretação de grupo: “Agonia da morte das fadas” e “Um homem é um homem”.
O trabalho nasceu de uma busca do grupo por pesquisar o que temos chamado de dramaturgia de imagens com o intuito de criar uma disputa de imaginários entre os contos de fadas que são retratados no espetáculo, usar seus referenciais imagéticos comuns a nosso favor. Queremos, com esse trabalho, trair essas narrativas clássicas. Subvertê-las. Fazer com que nossos corpos ocupem os espaços que não puderam.
Subcategoria: interpretação em grupo
Elenco: Diego de Castro Camelo, Fernanda Graça Machado, Valmir Paulino da Silva e Luana Joia Chrispim.
Duração: 90 minutos
Unidade de ensino: Escola de Comunicações e Artes – ECA
Curso: Artes Cênicas
Três mulheres de maiôs. Três alfaces de óculos escuros. Uma praia artificial, ambiente aparentemente seguro. Três mulheres-alfaces enclausuradas em uma peça artificial. Só existe o marasmo nesses corpos. Corpos padronizados e assépticos. Chamaram-nas tanto de histéricas que se tornaram apáticas. Mas o que revelam essas mulheres por trás do vazio? Quando não é mais possível contar uma história, quando todas elas já foram contadas, só resta um refluxo, um nó na garganta, que pode implodir a qualquer momento destruindo toda essa artificialidade.
Três mulheres alfaces sufocadas por uma sociedade patriarcal – sua moral, seus padrões de beleza-corpo, sua desigualdade de gêneros… Uma Sucessão de cenas marcadas pela artificialidade, pelo nonsense e pelo cômico, com o intuito de evidenciar formalmente as questões sobre o papel social da mulher.
Instigadas pela fala de uma das Atrizes “- eu me sinto uma alface”. A Coletiva Olivias de mulheres-artistas, investiga através desta metáfora uma sensação de ser mulher nesse mundo. Essa imagem, da mulher enquanto algo inerte, insosso, fracassado…que em um primeiro momento parecia derrotista, tornou-se um pretexto para a discussão e um disparador de reflexões sobre o que é ser mulher. Mulheres não são alfaces. E é na construção cênica dessa metáfora de se sentir como uma alface e na luta contra essa sensação que se dará a tensão criativa do processo.
Subcategoria: direção (coletiva)
Diretoras: Camila Corrêa Moro, Gabrielle Martin Távora, Marina Novais Correa Meyer, Priscilla Carbone e Paula Halker Silva.
Duração: 60 minutos
Unidade de ensino: Escola de Comunicações e Artes – ECA
Curso: Artes Cênicas
Criado a partir de processo colaborativo, em um grupo formado apenas por mulheres, Mariposas conta a história real das irmãs Mirabal, que viveram durante a ditadura militar na República Dominicana e lutaram pela libertação de seu país.
Mariposas acompanha a história real das quatro irmãs Mirabal, que lutaram pela libertação de seu povo. Em meio a uma das ditaduras militares mais sangrentas da América Latina, Pátria, Minerva, Maria Teresa e Dedé cresceram, sonharam e tornaram-se símbolos — mas foram também mulheres reais, e irmãs que, embora muito diferentes, tinham um laço indestrutível.
Subcategoria: direção
Diretora: Juliana Piesco
Duração: 80 minutos
Unidade de ensino: Escola de Comunicações e Artes – ECA
Curso: Artes Cênicas
Trabalho desenvolvido pela turma 67 da Escola de Arte Dramática EAD/ECA/USP, com direção de Cristiane Paoli Quito, na disciplina de Oficina de Montagem (sexto termo). A montagem enfatiza o jogo de composição a partir da adaptação da obra de Bertolt Brecht usando da tradução de Fernando Peixoto e da versão de Paulo José para o Grupo Galpão.
Galy Gay, um homem em meio à guerra, estivador do porto de Kilkoa que só bebe socialmente, não fuma e, pode-se dizer, não tem nenhum vício. Um sujeito engraçado que não sabe dizer “não” saiu de manhã para comprar um peixe pequeno, a tarde já possuía um grande elefante e a noite foi fuzilado. Fuzilado? Não era Galy Gay, era um outro. Galy Gay será desmontado e depois, sem que dele nada se perca, será novamente remontado, pois o senhor Bertolt Brecht pode provar que qualquer um pode fazer de um homem (cujo nome não deve ser mencionado) o que desejar. Em uma brincadeira em troca de um charuto estava disposto a esquecer até o nome da mãe. Soldados tomaram conta dele, pois, por acaso, sabiam onde o colocar. Não foi um grande crime o que cometeu esse que era o homem indicado para qualquer tipo de negócio. Não foi um qualquer enquanto viveu: carregava pepinos por gorjeta, era membro do clube de lutadores de Kilkoa, tinha pés chatos e também outras coisas que é melhor não mencionar. Um sujeito útil e por isso utilizável que perdeu-se falando demais, mas um homem é um homem e enfiar os dentes na garganta do inimigo, finalmente compreendam como é perigoso nesse mundo viver.
A montagem enfatiza o jogo de composição a partir da adaptação da obra de Bertolt Brecht usando da tradução de Fernando Peixoto e da versão de Paulo José para o Grupo Galpão.
Subcategoria: interpretação em grupo
Elenco: Carolina Borelli Bernardo, Igor Armucho de Alencar, José Welington Landim Filho, Juliana Lourenção, Lucas Corbucci Caldeira Nasi, Monalisa Evangelista da Silva, Vanessa Balsalobre Trevizan, Vinicius Albano de Sousa, Wesley Monteiro de Almeida.
Duração: 70 minutos
Unidade de ensino: Escola de Comunicações e Artes – ECA
Curso: Escola de Arte Dramática – EAD