Artes Cênicas


ARTES CÊNICAS

Na categoria Artes Cênicas contemplam-se as seguintes subcategorias:


Direção, Interpretação Individual, Interpretação em Grupo

O diretor, antes de tudo, é um decifrador de códigos. Cada elemento (movimento, iluminação, corpo e expressão), torna-se, a partir da sua ação consciente, um objeto; um cenário de diálogo com o público.

O segredo do artista é a interação, o reconhecimento do dualismo ator -público: projeta e torna real, tangível e expressiva sua interpretação, formando a imagem indelével da obra na memória do espectador sem, contudo, pretender inculcar no público sua visão da obra. Apenas ser o que é –  o personagem.

Todos os elementos constituintes do cenário, figurino e trilha sonora, não são arbitrariamente escolhidos. Cada um possui, em si, forma e função: a vocação para a maximização do sentido e “alma” da obra.

Sem dúvida a luz é o elemento revelador: vital, dá suporte aos outros elementos constituintes da peça. Recorta fragmentos no espaço, isola atores, revela altura, perfil, contornos e profundidade. Também expressão – revela sentimentos. Nela o ator liberta-se ao mundo criativo da fantasia, dos desejos: torna-se arte em sua maior expressão.

Em todas suas edições, o nível artístico dos participantes do Programa Nascente – Categoria Teatro é de excelência, o que torna difícil a tarefa da Comissão Julgadora, formada por especialistas de grande relevância em sua área, ao escolher o candidato ou grupo de maior destaque.

A Mostra Nascente USP de Teatro oferece visibilidade e projeção para as companhias teatrais estudantis

Além da oportunidade ímpar de aprimorar suas aptidões, o Programa Nascente oferece a visibilidade e notável reconhecimento aos finalistas da categoria, tendo estes a oportunidade de apresentarem-se em espaços culturais de prestígio como o Teatro da USP (TUSP), Teatro da Faculdade de Medicina e o Teatro Municipal Alfredo Mesquita.

Já participaram do Programa Nascente muitos artistas e grupos de grande talento, dentre eles Juliana Piesco: vencedora do 26° Nascente na categoria Artes Cênicas na subcategoria Direção.

Vencedores da subcategoria Direção do 26° Nascente

A cerimônia de premiação do Nascente 2018 ocorreu no dia 30 de Novembro, no auditório István Jancsó da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP. O concurso premiou dois trabalhos na categoria Teatro, sendo estes: Mariposas na subcategoria direção, tendo como vencedora Juliana Piesco, aluna do curso Bacharelado em Artes Cênicas da ECA- USP e, na subcategoria Interpretação em Grupo, a peça: Um homem é um homem de Bertolt Brecht interpretada pelos alunos da Escola de Arte Dramática EAD/ECA-USP: Carolina Borelli Bernardo, Igor Armucho de Alencar, José Welington Landim Filho, Juliana Lourenção, Lucas Corbucci Caldeira Nasi, Monalisa Evangelista da Silva, Vanessa Balsalobre Trevizan, Vinícius Albano de Sousa e Wesley Monteiro de Almeida.

Recebeu menção honrosa o trabalho Agonia da Morte das Fadas na subcategoria Interpretação em Grupo.

Trabalhos Premiados

Mariposas (80 min): Vencedora na subcategoria direção, a obra desenvolve-se no período da ditadura militar na República Dominicana, tida como uma das mais severas na América Latina.

“Mariposas” acompanha a história real das quatro irmãs Mirabal, que lutaram pela libertação de seu povo. Em meio a uma das ditaduras militares mais sangrentas da América Latina, Pátria, Minerva, Maria Teresa e Dedé cresceram, sonharam e tornaram-se símbolos – mas foram também mulheres reais, e irmãs que, embora muito diferentes, tinham um laço indestrutível.

[texto fornecido pela diretora]

 

Um homem é um homem (aproximadamente 70 minutos): Vencedora na subcategoria interpretação em grupo, foi desenvolvida pela 67° turma do curso de formação de atores da Escola de Arte Dramática EAD/ECA- USP, com direção de Cristiane Paoli Quito durante a disciplina “Oficina de Montagem”. A Montagem enfatiza o jogo de composição a partir da adaptação da obra de Bertolt Brecht, com tradução de Fernando Peixoto e versão de Paulo José para o Grupo Galpão.

Galy Gay, um homem em meio à guerra, estivador do porto de Kilkoa, que só bebe socialmente, não fuma e, pode-se dizer, não tem nenhum vício. Um sujeito engraçado que não sabe dizer “ não”saiu de manhã para comprar um peixe pequeno, à tarde já possuía um grande elefante e a noite foi fuzilado. Fuzilado? Não era Galy Gay, era um outro. Galy Gay será desmontado e depois, sem que ele nada perca, será novamente montado, pois o senhor Bertolt Brecht pode provar que qualquer um pode fazer de um homem (cujo nome não deve ser mencionado) o que desejar. Em uma brincadeira em troca de um charuto estava disposto a esquecer até o nome da mãe. Soldados tomaram conta dele, pois, por acaso, sabiam onde o colocar. Não foi um grande crime que cometeu esse que era o homem indicado para qualquer tipo de negócio. Não foi um qualquer enquanto viveu: carregava pepinos por gorjeta, era membro do clube de lutadores de Kilkoa, tinha pés chatos e também outras coisas que é melhor não mencionar. Um sujeito útil e por isso utilizável que perdeu-se falando demais, mas um homem é um homem e enfiar os dentes na garganta do inimigo, finalmente compreendam como é perigoso nesse mundo viver.

[Texto fornecido pelo Grupo]

Confira os finalistas e premiados da categoria Artes Cênicas da edição 2018 do Nascente USP 2018