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Peça inspirada em diálogos de As Três Irmãs, de Anton Tchékhov, estreia em agosto no TUSP

Peça inspirada em diálogos de As Três Irmãs, de Anton Tchékhov, estreia em agosto no TUSP

Teatro da Universidade de São Paulo - 08/08/2022

Moscou para principiantes propõe reflexão sobre os sentidos do trabalho nos dias de hoje e  questões como desejo e capacidade de criação de outras realidades possíveis

Entre 13 de agosto e 18 de setembro, o Teatro da USP (TUSP) recebe o espetáculo Moscou para Principiantes, escrito e dirigido por Aline Filócomo, integrante da Cia Hiato. A peça explora diálogos do clássico As três irmãs, de Anton Tchékhov (1860-1904) e desenvolve uma discussão sobre o universo do trabalho no nosso tempo. A temporada é de quinta a sábado às 20 horas, e domingo às 18 horas. 

As atrizes Natacha Dias, Paula Arruda e Rita Grillo formam o elenco do espetáculo, cujo texto recorre à transcrição poética de uma série de conversas promovidas em dois núcleos de mulheres: três artistas de teatro e um grupo de aposentadas da terceira idade. 

A ideia de montar a peça surgiu em 2015, quando Aline Filócomo conversava com três atrizes sobre seus trabalhos. “Naquela reunião reconhecemos o fim de certas expectativas até então cultivadas sobre a nossa profissão e a urgência de reprogramar os nossos rumos profissionais e de reinventar os anseios pessoais. Foi quando começamos a perceber grandes semelhanças entre a nossa conversa e a peça de Tchekhov”, revela a diretora. 

“Nós estávamos discutindo um novo projeto artístico do mesmo modo como Olga, Macha e Irina sonhavam em ir para Moscou. Como acontecia com as personagens tchekhovianas, sentíamos que a passagem do tempo nos impunha o confronto com as máscaras sociais impostas e a necessidade de as superarmos. Viver, trabalhar e criar ainda são palavras à espera de um novo sentido, ainda desconhecido”, acrescenta Filócomo.

Moscou Para Pricipiantes

Moscou para Principiantes com Rita Grillo, acima, Natacha Dias, no meio, e Paula Arruda, abaixo. Foto MaGon.

Em resposta a essa inquietação, surgiu Moscou para Principiantes, que discute, de forma provocativa e bem-humorada, os sentidos atuais do trabalho, relacionando o tema a questões como desejo e capacidade de criação de outras realidades possíveis. E, tanto na dramaturgia como na direção, instalam-se espaços de erro e incompletude, que também se associam a nossa atual dificuldade de compreensão das alteridades. 

O espetáculo tangencia poeticamente discussões importantes do atual momento político e social brasileiro, quando cada vez mais a existência é estritamente associada à capacidade humana de produzir: o tempo é transformado em matéria consumível, e o ataque generalizado à arte e à cultura anula o direito à criação e à contemplação. 

“Temos a sensação de que hoje em dia não basta sobreviver do trabalho, como nos dizem recorrentemente a sociedade e uma das personagens da peça russa. É necessário sobreviver ao trabalho. Dizem que é preciso trabalhar, produzir e reproduzir. Mas a partir de quê? Para quem? E produzir o quê? O que resta quando isso tudo se acaba?”, reflete a encenadora sobre questões que nortearam a criação da dramaturgia.

Matrioskas

Outra referência importante para a encenação são as figuras das matrioskas, as famosas bonecas russas de diferentes tamanhos que vão se encaixando uma dentro da outra e remetem à imagem da mulher fértil. A própria linguagem da peça opera por um jogo de tentativa e erro na construção e desconstrução dos pontos de vista de três figuras que transitam entre ficções e realidades variadas.

Como as muitas camadas da boneca russa, ora aparecem em cena as personagens Olga, Macha e Irina, de As Três Irmãs; ora são três idosas resgatando suas memórias; ora são as próprias atrizes, que devaneiam imaginando quais seriam as suas pequenas “moscous”. 

E até a estrutura do espetáculo, que transita entre cinema, teatro e instalação, e os figurinos, compostos por peças e adereços sobrepostos, remetem a essas figuras cheias de camadas das matrioskas.

“Sobre o trabalho com o elenco, a diretora antecipa: “As três atrizes têm o verbo como condutor da ação. A tentativa de traduzir em palavras, frases e sentidos o ritmo frenético dos seus pensamentos ocupa espaço e produz movimento na cena. Além disso, elas experimentam deslocamentos de linguagem: falas sobrepostas, delays, hiatos de memória e repetições incessantes.”

 

Serviço

Moscou para principiantes

Onde | Teatro da USP
Rua Maria Antônia, 294 – Vila Buarque – São Paulo, SP (próximo às estações Higienópolis e Santa Cecília do metrô)
Quando | De 13 de agosto a 18 de setembro | quinta a sábado, às 20 horas, domingos às 18 horas
Classificação | Livre
Duração | 55 minutos
Quanto | R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)  – Ingressos em https://www.sympla.com.br/produtor/moscouparaprincipiantes ou na bilheteria com antecedência de 1 hora
Capacidade | 85 lugares
Informações | (11) 3123-5222

Sinopse

Moscou para Principiantes discute os sentidos atuais do trabalho relacionando o tema a questões como desejo e capacidade de criação de outras realidades possíveis. O texto, publicado pela Editora Javali, recorre à transcrição poética de uma série de conversas promovidas em dois núcleos de mulheres, três artistas de teatro e um grupo de aposentadas da terceira idade, com procedimentos livremente inspirados nos diálogos de As Três Irmãs, de Anton Tchekhov.

Ficha técnica

Direção e Dramaturgia: Aline Filócomo / Elenco: Natacha Dias, Paula Arruda e Rita Grillo / Produção: Aura Cunha / Produção Executiva: Yumi Ogino / Cenário e Iluminação: Marisa Bentivegna / Figurino: Anne Cerutti / Projeção: Grissel Piguillem / Trilha Sonora: Kuki Stolarski / Direção de Movimento: Fabrício Licursi / Assessoria de Imprensa: Pombo Correio / Programação Visual e Fotos: MaGon

Quem é Aline Filócomo

Atriz, diretora e dramaturga, é graduada em Artes Cênicas pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, co-fundadora e integrante da Cia Hiato, com a qual criou e atuou nos espetáculos Cachorro Morto, Escuro, O Jardim, Ficção, 02 Ficções, Amadores e Odisseia. 

Como atriz, também integrou o elenco do Centro de Pesquisa Teatral do SESC, coordenado por Antunes Filho, com o qual criou e atuou no Prêt-à-Porter 8; e participou da turnê internacional da montagem francesa Le Retour au Désert, da Compagnie Dramatique Parnas, dirigida por Catherine Marnas. Fez preparação de elenco do espetáculo O Silêncio Depois da Chuva, dirigido por Leonardo Moreira, em cartaz no SESI-SP. Em 2020, recebeu um prêmio de dramaturgia e sua peça Moscou para Principiantes foi publicada pela Editora Javali.

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