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Animação quer desmistificar tabus e minimizar desinformação em torno da menstruação

Animação quer desmistificar tabus e minimizar desinformação em torno da menstruação

USP Diversidade - 29/06/2022

Série do projeto MenstruAÇÃO pretende colaborar no enfrentamento qualificado da pobreza menstrual e auxiliar na promoção da saúde da mulher

A série animada com uma personagem que acorda pela manhã e se vê menstruada pela primeira vez está sendo produzida para desmistificar tabus, escassez de dados e desinformação sobre a menstruação entre estudantes dos ensinos fundamental e médio. A parceria, entre o Programa USP Diversidade e Instituto Cultural Barong, foi nomeada projeto MenstruAÇÃO. O primeiro episódio foi lançado em 28 de junho e está disponível no Youtube.

MenstruAÇÃO

“A saúde, os direitos menstruais e a resposta à pobreza menstrual, que afetam negativamente parte importante das pessoas que menstruam no País, são temas que impactam o desenvolvimento da sociedade e têm assumido magnitude nacional e internacional”, afirma a professora Ana Paula Morais Fernandes, coordenadora do Programa USP Diversidade e do projeto. “A pobreza menstrual é um fenômeno complexo, multidimensional e transdisciplinar”, argumenta ela, também docente da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP).

No Brasil, crianças e adolescentes que menstruam têm violados seus direitos à educação de qualidade, moradia digna, e saúde, incluindo a sexual e reprodutiva. Conforme o relatório “Pobreza Menstrual no Brasil – Desigualdades e Violações de Direitos”, publicado pelo UNICEF e UNFPA, mais de 60% das adolescentes e jovens que menstruam já deixaram de ir à escola por causa da menstruação. “A menstruação é uma condição perfeitamente natural que deve ser mais seriamente encarada pelo poder público e as políticas de saúde. Quando não permitimos que uma menina possa passar por esse período de forma adequada, estamos violando sua dignidade”, afirma a representante do UNICEF no Brasil, Florence Bauer.

A psicóloga, historiadora e sexóloga Regiane Garcia, diretora institucional do Barong, concorda. “Falar de menstruação, de saúde íntima, abordar essas questões com alunos do ensino médio, com adolescentes, com jovens, é empoderar cada vez mais essa mulher pra conhecer sua sexualidade e conseguir ter uma atitude mais pró-ativa com relação à sua saúde sexual, à prevenção, ao cuidar-se e até para negociar com o parceiro, com a parceira, em algum momento, métodos para se prevenir, métodos contraceptivos e atitudes frente a vida”, afirma. “A gente está no século 21 e a sexualidade feminina precisa ser discutida, conversada, estudada, pesquisada, porque as mulheres precisam viver melhor suas vidas, sua sexualidade”, argumenta ela.

Para a artista plástica Adriana Bertini, diretora de projetos do Barong, “a questão da dignidade íntima, enquanto tabu, não diferencia as classes sociais”, afirma. Segundo ela, “o tabu da menstruação perpassa por todas as classes, indistintamente”.

“O projeto aborda esta temática, ainda envolta em tabus, escassez de dados e desinformação, e colabora para o enfrentamento qualificado da pobreza menstrual e promove a educação em saúde”, corrobora a professora Ana Paula.

“A menstruação é uma questão de saúde pública, que precisa ser vista pelo viés da saúde pública, porque ainda vivemos essa questão em vários contextos, inclusive religiosos, que falam de impureza, que tornam o corpo que menstrua um corpo inferior, um corpo doente, um corpo frágil. A menstruação traz essa carga de estigma muito pesada”, diz Dan Kaio Lemos, transexual masculino.

“A primeira dificuldade de um homem trans está em entender essa questão que é colocada culturalmente como ‘quem menstrua são mulheres’. Isso gera uma disforia muito grande, podendo gerar até mesmo o auto-ódio, repúdio ao próprio corpo, fazendo com que esse corpo sofra não só de dores psicológicas, mas na própria estrutura física, ou seja, esse processo de rejeição a esse corpo impede muitas vezes de acessar a saúde, impede muitas vezes de cuidar desse corpo”, afirma ele.

O projeto conta com a participação de dois professores, dois pós-graduandos e cinco alunos de graduação. Estão sendo produzidos vídeos animados utilizando ilustrações e comunicação para criar conexão, humanizar e traduzir para informações simples que possam ser utilizadas no dia a dia, em uma série de episódios que abordam conteúdos sobre o contexto multidimensional da menstruação.

Neste contexto multidimensional, dignidade íntima, preconceito, tabus, anatomia dos órgãos sexuais e urinário, ciclo menstrual e ovulação, tensão pré-menstrual, cólica menstrual, saúde íntima (probióticos, lactobacilos, cheiro e cor menstrual, alimentação), higiene menstrual (higienização dos órgãos genitais externos, sabonete íntimo, líquido e em barra, ducha íntima, desodorante íntimo, lenço umedecido, perfume, protetores diários, lubrificantes, gel), insumos menstruais (absorvente externo, absorvente interno, coletor menstrual, disco menstrual, cápsula esterilizadora, absorvente de algodão reutilizável, calcinha absorvente), gravidez, infecções (síndrome choque tóxico, infecções sexualmente transmissíveis, vaginose bacteriana, infecção fúngica), entre outros, serão abordados pela personagem na série de vídeos animados.

Com informações do Programa USP Diversidade

O Programa USP Diversidade tem o objetivo de desenvolver ações que estimulem a igualdade, a solidariedade, e fortaleçam a promoção da diversidade e o respeito aos direitos humanos. Atualmente vinculado a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) está em fase de transição para a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), criada em 3 de maio de 2022.

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