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Nascente USP 2019 consolida revelação e premiação de talentos universitários

Comunicação - PRCEU - 24/10/2019

Tradicional programa cultural encerra calendário de apresentações e mostras com festa no Camargo Guarnieri

Por Elcio Silva, Fabio Rubira, Michel Sitnik e Sandra Lima
Colaborou Mariana Fraga

A musicista Giulia Faria venceu em 2015 na categoria Música Popular. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

Em 1990 a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP dava início ao programa Nascente. O sonho declarado (e realizado) pelo então pró-reitor, professor João Alexandre Barbosa (1937-2006) era “fazer com que a Universidade pudesse tornar visível aquilo que, em oito áreas artísticas, fazem seus estudantes”.

Na época, a internet no Brasil começava a ser gestada academicamente com a criação, pelo governo federal, da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa. Na televisão, a novela Pantanal estreava na extinta Manchete. A Organização Mundial da Saúde (OMS) excluía a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças.

Passados 29 anos, a tradicional premiação do calendário anual da USP foi entregue na noite da última sexta-feira (18) no renovado Anfiteatro Camargo Guarnieri, reaberto à comunidade após uma reforma de quase sete anos na Cidade Universitária.

A 27a. edição do Nascente despertou o interesse de 694 estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade que submeteram um total de 590 trabalhos nas categorias de Artes Cênicas, Artes Visuais, Audiovisual, Design, Música Erudita, Música Popular e Texto. Cada uma delas contemplada com uma gratificação no valor de 4 mil reais.

“Os prêmios, claro, são muito importantes. São parte dessa festa, eles nos estimulam”, declarou na abertura da cerimônia o coordenador acadêmico do Nascente, professor Luiz Claudio Mubarac. “Mas, talvez mais importante que os prêmios seja o fato das várias artes se encontrarem uma vez por ano, no mínimo, dentro do câmpus e em outros campi, para que a gente possa trocar uma série de informações que a contemporaneidade exige do fazer em arte.”

“Uma oportunidade, que eu considero singular, para descobrir novos talentos”, acrescentou a pró-reitora adjunta de Cultura e Extensão Universitária Margarida Maria Krohling Kunsch. “Esses estudantes, que hoje têm essa oportunidade, carregam isso para sua vida profissional.”

O músico Zé Leonidas, finalista em 2010 fala sobre sua trajetória. Ao lado, o mestre de cerimônias Mario Sant, da Rádio USP. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

Estudantes, amigos e familiares que prestigiaram a noite festiva de premiação com muitos aplausos e assovios a cada anúncio dos contemplados e menções honrosas das atuais sete categorias, revelados pessoalmente pelos jurados.

As duas horas de cerimônia, em clima informal, abarcaram até o protesto de um dos finalistas de audiovisual que, ainda da plateia, reagiu a um problema técnico que deixou sem áudio a exibição de um trecho de “Lua, Mar”. Anunciados como vencedores, os estudantes subiram ao palco para buscar o prêmio, dividido com a produção de “Apneia”. O apresentador Mario Sant, da Rádio USP, quebrou o protocolo ao ceder o microfone ao estudante Arão Nicolas Lopes da Silva, que criticou o “clima de palhaçada” do evento e alegou uma pretensa censura ao trabalho do grupo pela exibição do fragmento sem som. “Lua, Mar” está em exibição aberta ao público junto com os demais finalistas no Centro Universitário Maria Antonia até 17 de novembro.

A festa de premiação do Nascente 2019 seguiu sem demais incidentes, recheada com as apresentações musicais de Giulia Faria (vencedora em 2015) e Zé Leônidas (finalista em 2010), além da declamação poética de Mariana Cobuci (contemplada em 2013) e da apresentação teatral do grupo Bastardos (vencedores em 2018) com Um Homem é um Homem, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956).

A noite festiva foi precedida ainda por eventos que vinham ocorrendo desde setembro: um Sarau Literário e a abertura da exposição Visualidade Nascente 2019, no Centro Universitário Maria Antonia, além de apresentações teatrais do programa no Teatro da USP (Tusp) e mostras de Música Erudita e Popular no Anfiteatro Camargo Guarnieri.

Acompanhe abaixo como foram esses encontros.

Artes Cênicas

Na mostra da categoria Artes Cênicas, quatro finalistas da Escola de Comunicações e Artes (ECA) tomaram o palco do Teatro da USP (TUSP), na última semana de setembro. Vicente Antunes Ramos, na subcategoria direção, concorreu com Terra Tu Pátria, que traz ao público a cena política atual a partir de documentos recentes da história do país. O espetáculo esteve em cartaz no TUSP entre agosto e setembro, como parte da ocupação conjunta No calor da hora.

Também na subcategoria direção, Caio Horowicz Rezende apresentou A Última Gaivota que usa da metalinguagem para falar sobre arte e mercadoria. O público foi surpreendido na entrada do espetáculo pela personagem Última, que interpreta a derradeira atriz de um futuro distópico. O texto, de autoria de Isabela Egea Lisboa Lacerda, do curso de formação de atores da Escola de Arte Dramática (EAD) da ECA,  foi inspirado na peça A Gaivota, de Anton Tchekhov, e também concorreu pelo Nascente 2019 na categoria Texto, subcategoria Dramaturgia.

O projeto nasceu como um processo colaborativo. “Caio na direção, eu na dramaturgia, os atores e demais integrantes nos reunimos semanalmente, durante um semestre, para discutir temas que nos interessavam e obras que as abordavam”, contou a autora. “Cada área passou a trazer propostas para dialogarem entre si. Principalmente com as improvisações dos atores, o texto foi se construindo assim, em etapas, até chegar à versão atual.”

Apresentação da peça El General, que dividiu o prêmio com Terra Tu Pátria na categoria Artes Cênicas. Foto – Divulgação PRCEU / Sandra Lima.

Rafael Santos de Barros concorreu na subcategoria interpretação individual com El General, nascido do seu trabalho de conclusão do curso de Artes Cênicas na Universidade Estadual de Londrina e que se constitui agora na base de sua pesquisa de mestrado na ECA. Ao representar um soldado palhaço em cenas com muito improviso, Barros acabou contando em sua apresentação no TUSP com a participação de uma espectadora que levou a sério a brincadeira.

“Já não sei quais são os limites da prática e da teoria, por isso acreditei que seria importante participar do Nascente”, contou o ator, que acabou premiado na categoria (acompanhe abaixo a relação completa dos vencedores).

A jovem atriz Fernanda Graça Machado também concorreu na subcategoria interpretação individual com ANTIgonas – Mulheres do NÃO, em que utiliza os temas da heroína grega para atualizar as questões de gênero e racial das mulheres negras contemporâneas. Na encenação, Fernanda conversa com o público e relata experiências de irmãs que perderam seus familiares pela violência cotidiana, além de serem vítimas de abusos de autoridades por sua cor.

Sarau e Mostra Visualidade

O Sarau da edição deste ano foi realizado no Centro Universitário Maria Antonia da USP. Foto – Divulgação PRCEU / Sandra Lima.

Já na última sexta-feira de setembro, o edifício Joaquim Nabuco do Centro Universitário Maria Antonia ficou apinhado de gente. Estudantes  da USP e público externo dividiram as cadeiras no saguão e compartilharam as escutas de contos, poesias, novelas e dramaturgias. O sarau reuniu essas produções textuais também inscritas no Nascente USP 2019.

Foram mais de 50 autores que tomaram conta do microfone e puderam mostrar seus trabalhos. Em meio às leituras, os participantes souberam em primeira mão os nomes dos 13 finalistas da categoria Texto. Amália Santos, que passava pelo local, resolveu espiar o que acontecia e ficou para escutar. “Gosto de participar de saraus e conhecer a produção atual de textos. Foi uma grata surpresa”.

Os trabalhos de 323 estudantes de graduação e pós-graduação da USP foram analisados pela comissão julgadora formada pelos professores Maria Célia Pereira Lima Hernandes e Emerson da Cruz Inácio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), além de Jean Pierre Chauvin, da Escola de Comunicações e Artes (ECA).

Na mesma noite, a exposição Visualidade Nascente 2019 foi aberta ao público, com obras das categorias Artes Visuais, Design e Audiovisual.

Estudante do curso de artes visuais da Escola de Comunicações e Artes (ECA), Carlos Jeucken inscreveu seu ensaio fotográfico O silêncio é um lugar. “Acredito que a edição de um ensaio fotográfico ou de qualquer outro conjunto de obras visuais seja para muitos uma extensão natural do processo criativo. No caso específico deste concurso, foi também um exercício importante levando-se em conta as restrições contidas no regulamento, bem como as limitações do espaço expositivo”, explicou. 

A Mostra Visualidade trouxe os trabalhos de Artes Visuais, Audiovisual e Design. Foto – Divulgação PRCEU / Camila Previato Guimarães.

Concorrendo com dois trabalhos, a instalação Bordas e a escultura Reizinho (que põe em xeque as posições autoritárias na sociedade), em sua primeira vez no Nascente, Victor Gouvêa e Silva descobriu que “existe uma aura em torno do prêmio. Alguns alunos se sentem intimidados até para se inscrever (talvez por ter banca), porque é algo grandioso”.

Oito obras da categoria Design também estão expostas no Centro Universitário Maria Antonia. As estudantes Calíope Sakaki da Silva e Camille Angélica Studt concorreram com Carrinho de rolimã nexus, na subcategoria design de produto. Também foi a primeira vez que se inscreveram no Nascente. “Os trabalhos no curso de design sempre passam por um longo processo de pesquisa, entrevistas, benchmark de sketches (rascunhos) antes de começarmos a projetar de fato”, explicou Camille. “ A etapa da construção do protótipo em escala real foi bastante relevante para o projeto. Ter a possibilidade de ver o nosso produto finalizado, bem como poder utilizá-lo, nos incentivou muito ao longo do processo de criação”.

Na categoria Audiovisual, cinco trabalhos disputaram o prêmio. Dener Oyakawa, Letícia Sillmann e Ângelo Lopez concorreram na subcategoria Projeto – Animação com o curta Insolúvel. Letícia explicou  que “com o projeto do TCC pronto para ser tirado do papel, surgiu a necessidade de buscar ajuda financeira. Então decidimos inscrever o projeto no Nascente, já que queríamos muito fazer um curta de terror em animação”.

Música Erudita e Popular

Se há uma palavra que resume o clima musical da noite de 16 de outubro no Anfiteatro Camargo Guarnieri, ela é diversidade. Mencionada pelos participantes, jurados e pelo apresentador do evento, acabou traduzindo um pouco da essência do próprio programa Nascente USP, que coloca no palco os mais variados estilos e propostas.

Já na primeira apresentação, o compositor Gabriel Duarte da Silva, da peça “br[asas] n.3”, anunciou que a intenção era exatamente “aproximar diferentes universos ao conectar música popular e erudita em uma composição que encurte essa distância”. Ou na apresentação seguinte, em que Fernando Donizete Genari e Vitor Botelho Sampaio interpretaram uma versão de “Paulistanas”, de Cláudio Santoro, para duo de violões. Fernando destaca: “O grande desafio de transcrever uma obra do piano ao violão é conseguir ser fidedigno à partitura mesmo ao buscar o ganho necessário no violão, para compensar a diferença de abrangência de notas”. 

Luísa Carvalho foi uma das vencedoras na categoria Música Popular. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

Experimentações com estética mais vanguardistas também não faltaram, como “Luzes em desassossego”, do mestrando em sonologia Pedro Yugo Mani. Ou o emprego de instrumentos não convencionais na música erudita, como pandeiro e mesmo a flauta. Bruno Miranda, que interpretou “Sonata Nº 1 para duas flautas de W. F. Bach”, explicou no palco que a flauta é muito presente na música popular, como por exemplo no choro, mas vem ganhando força na música erudita e que o músico completo deve conseguir transitar por esses universos. Seu parceiro de apresentação, Fábio Ferreira, exaltou a importância do Nascente USP nesse contexto, abrigando todos os estilos e propostas, sem preconceitos. “Para quem se dedica à música, o mais importante é ter um palco para se apresentar e uma plateia para apreciar esse trabalho.” 

Nas apresentações de música popular não foi diferente, como no arranjo de “Chora Viola”, que trouxe para o choro a dupla viola e violão, normalmente presente na música caipira. Além do arranjo de Luiza Carvalho Tavares Alves, “Menina que vai à praia/Quem me deu foi Lia”, propondo um jogo de contraste de instrumentos, com elementos da ciranda, como o surdo, e outros típicos da música erudita, como o fagote.  

Julgamentos e comparações

Em um ambiente com propostas tão diversas, como julgar e escolher os vencedores do concurso? É possível comparar um trabalho de composição com um de interpretação? Talvez esse seja um dos maiores desafios dos jurados do Nascente. Para Luca Raele, membro da comissão de Música Erudita, a chave está na apuração técnica: “Valorizamos o impacto da experiência estética”. Imediatamente após a última apresentação, os trios de jurados de cada categoria se reuniram para a deliberação. Rogério Costa, da comissão de Música Popular, ressaltou a importância de se fazer este trabalho ainda com o frescor do momento, pois a apresentação ao vivo tem uma característica muito própria, completamente diferente do registro em áudio e vídeo. Sua colega de júri concordou, lembrando a importância da energia e da proximidade com a plateia. “Ainda que apresentações gravadas possam eventualmente se utilizar de mecanismos de ganho ou correção, o que vimos aqui ao vivo tem se mostrado de melhor qualidade do que as gravações enviadas na hora da inscrição, pelo contexto do evento”, destacou a pianista Juliana Ripke da Costa.

Já o terceiro membro da comissão, Paulo de Tarso Salles, ponderou que apresentações ao vivo trazem também fatores pontuais, não necessariamente ligados à qualidade do trabalho, como eventuais falhas técnicas ou a condição do músico naquele instante. De modo que a escolha dos vencedores acaba acontecendo também em função de um retrato de momento, de uma situação específica. O que, para Salles, não tira de forma alguma o valor do evento. “Apesar de ser formalmente um concurso, vejo que o melhor do Nascente USP não é necessariamente o aspecto competitivo, mas justamente essa grande celebração e esse espaço de divulgação da arte e da diversidade musical. Todos os envolvidos acabam tendo muita clareza de que mesmo aqueles que não saem vencedores também têm uma grande qualidade.” 

Histórias pessoais

Os trabalhos apresentados nas mostras Nascente USP de Música de 2019 trouxeram consigo também a conexão de histórias pessoais e o ambiente de criação e de estudo da música. Como no caso da vencedora na categoria Música Erudita. A clarinetista Jéssica Gubert vê um papel motivador do Nascente USP para se dedicar ainda mais ao aprimoramento e ao desenvolvimento de sua forma de apresentação, incluindo um trabalho corporal que vai além da música propriamente dita. “Tive um sentimento de satisfação e alegria ao me apresentar e sentir que venci barreiras”, contou Jéssica, referindo-se não apenas ao seu trabalho “Fantasia para Clarinete Solo de Jorg Widman”, que exigiu um empenho especial, mas também à sua trajetória como musicista. “Venho de uma família de músicos, mas todos pianistas. Tentei seguir por esse caminho também, sem nenhum sucesso e sempre sofrendo muita pressão. Quando me descobri em um novo instrumento, quase que por acaso, acabei conseguindo me desenvolver e encontrar um caminho na música. Sem estímulos como esse, do Nascente USP, o trabalho acaba sendo muito solitário”.

Gabriela Silveira de Andrade, vencedora na categoria Música Popular, toca para o público do Anfieatro Camargo Guarnieri. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

“Oração”, composição vencedora da categoria Música Popular, partiu de uma inspiração pessoal resgatada por Gabriela Andrade nas manifestações culturais mineiras ligadas à sua origem. A estudante optou por uma criação com referências musicais muito concretas e presentes, mas sem uma letra, abrindo também um espaço para cada pessoa receber a obra dentro de seus próprios valores. Afinal, “oração cada um tem a sua”. 

Compositor de “Presságio”, Joel Gustavo Pinto Oliveira disse ter se inspirado justamente no momento em que decidiu estudar música, abandonando outro plano de carreira traçado por pressões sociais e familiares. “Na hora de vir estudar música tive que quebrar muitas barreiras e expectativas. A arte tem esse desafio de fazer a gente encarar os nossos demônios.”, desabafou. 

Também foi de uma angústia pessoal que surgiu a composição de temática feminista “Liberdade em Mulher”, a partir de um poema que Thais da Costa Leite já havia escrito: “Tive essa inquietação quando notei que, por ser mulher, eu não estava na situação de privilégios na sociedade. E uma das formas de se lidar com isso é expressando por meio da arte”, relatou, explicando que a escolha do rock para essa manifestação também foi proposital. “É um gênero mais rebelde; esta música jamais poderia ter sido uma bossa-nova”, brincou. 

Estudante de artes cênicas, Jade Faria Teixeira concorreu interpretando “San Vicente/Ponta de Areia”: “O melhor de estudar aqui, muito mais do que ter acesso a qualquer aparato técnico, é que a USP proporciona encontros – com colegas, com professores, com tudo o que nos faz crescer. E o Nascente também faz parte desse contexto pois, diferente de outros concursos, abriga uma variedade grande de propostas”. 

Movimentação entre estudantes 

Jurada de Música Erudita, Susana Igayara é também professora do Departamento de Música na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e se declara grande  divulgadora do Nascente: “Sou uma entusiasta desse programa porque sinto na pele a movimentação que ele causa nos alunos, gerando um estímulo muito grande para o aprimoramento, o treino e a busca por propostas inovadoras”.

Opinião compartilhada por  sua colega de departamento e de júri. A professora Adriana Lopes Moreno finalizou lembrando que concursos são uma constante na rotina de quem estuda música, mas o Nascente é diferente de tudo. Se a praxe são as chamadas “peças de confronto”, nesta tradicional proposta da Universidade de São Paulo abre-se um leque de possibilidades com espaço para a liberdade, para a criação, para a experimentação e para a diversidade, trazendo diferentes facetas.

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Acompanhe abaixo os depoimentos dos vencedores das sete categorias do Nascente USP 2019

– Música Erudita

Jéssica Gubert, vencedora na categoria Música Erudita, em sua apresentação solo no Nascente 2019. Foto Divulgação Facebook.

Jessica Gubert – Fantasia para Clarinete Solo de Jorg Widmann

Não foi à premiação porque estava em Rondônia, onde fez um concerto de abertura no 5º Festival de Arte e Cultura da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

“Me inscrevi no Nascente e no momento em que fui selecionada [como finalista] coloquei como um incentivo para o meu estudo. Foquei muito no processo artístico da peça e daquilo que estava pesquisando e por isso inseri a questão do corpo e do gesto. Aproveitei essa fase do mestrado e tentei aplicar tudo isso na minha performance. Não quis simplesmente tocar clarinete, procurei colocar a minha história e trazer a questão da performance na contemporaneidade. Teve um processo de reflexão dentro da minha realidade atual. Por isso esse prêmio é tão especial para mim, porque faz parte do meu desenvolvimento.” (por telefone)

– Artes Cênicas (dois premiados)

Da esquerda para a direita: jurados Eduardo Tessari Coutinho e Ipojucan Pereira da Silva, vencedores Vicente Antunes Ramos e Rafael Santos de Barros e a jurada Sandra Regina Sproesser. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

Rafael de BarrosEl General“Sem dúvida a continuidade do trabalho, apresentado desde 2011, me trouxe até aqui. Entrei no mestrado este ano, me inscrevi meio sem saber que tinha este concurso e fiquei feliz em ser um dos finalistas e em receber este prêmio.”

Vicente Antunes RamosTerra Tu Pátria

“O trabalho tem uma força ao tratar de questões que são muito pungentes de uma forma muito direta. Através dos documentos colocamos em cena todo esse horror político que aconteceu recentemente. Ele traz uma força do agora.”

– Música Popular  (dois premiados)

Da esquerda para a direita a jurada Juliana Ripke, a vencedora Gabriela Silveira de Andrade, os representantes de vencedora Luisa Carvalho, Salomão Sidharta e Moisés Lessa e o jurado Paulo de Tarso Salles. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

Gabriela Silveira de AndradeOração

“Para mim é uma honra receber esse prêmio nesse espaço que tem artistas de tanto talento e dedicação a música. Me sinto muito feliz. Essa música Oração representa bem esse processo de reflexão e interiorização. Acho muito lindo, denso e forte o congado porque tem toda a carga da escravidão como manifestação cultural de herança africana. O ritmo foi uma inspiração.”

Moisés de Carvalho Lessa (fagotista do grupo Mãe D’Água, falou em nome da vencedora Luísa Carvalho Tavares Alves que não pode comparecer por estar em um show na capital) – Menina que vai a praia /Quem me deu foi Lia

“A ideia dela e do grupo era fundir elementos da música erudita, de câmara, com a popular. E através dessa junção dar uma nova roupagem à ciranda, que é um gênero popular que representa tão bem o nosso país, o nosso povo. A Luísa teve muita sensibilidade para trazer esse traço genuinamente brasileiro neste arranjo de ciranda.

– Audiovisual (dois premiados)

Vencedores da categoria audiovisual e jurados. Victória Negreiros, a quinta da esquerda para direita representou as colegas no depoimento sobre o trabalho Apneia. Arão Nicolas Lopes Silva, o último à direita, falou sobre o curta Lua Mar. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

Arão Nicolas Lopes Silva (em nome dos colegas Fillippo Pettinelli Balboni e Lucca Chiavone Alves) Lua Mar

“O filme traz um conflito entre meu lado USP e meu lado periferia. Dois lados que estão sempre em conflito. Obrigado por darem o prêmio e tomara que essa discussão entre e esteja cada vez mais presente na academia, porque a USP não está preparada para receber alunos periféricos. Esta questão social é muito forte. Este filme é importante aqui porque várias questões precisam ser conversadas.”

Victoria Negreiros (em nome das colegas Giuliana Lanzoni Tambellini, Júlia Dordetti Fávero, Luiza Garzeri Freire) Apneia

“Apneia nasceu de uma equipe prioritariamente feminina, feita de mulheres LGBTS, ou melhor, LB, e tínhamos o desejo de discutir relações lésbicas, não exatamente a amorosa em si, mas no que concerne a vivência da mulher lésbica no Brasil. A partir de um processo coletivo, discutimos o que é essa vivência que não é só pautada na sexualidade, mas também está relacionada com a questão de classe e racial que não podemos ignorar no Brasil. Estamos em um momento político em que o incentivo à cultura não é prioridade nas discussões e o Nascente é importante neste momento. De alguma forma, nos sentimos preparadas para quando sairmos da USP encararmos alguns editais públicos.”

– Texto (dois premiados)

A jurada Maria Célia Pereira Lima Hernandes, à esquerda, e Mariana Cobuci, vencedora em 2013, à direita, entregam o prêmio aos vencedores Isabela Lisboa e Gabriel Schincariol Cavalcante, ao centro. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

Isabela Lisboa – A última gaivota

“Foi uma surpresa. Fizemos um trabalho colaborativo que também foi indicado na categoria artes cênicas. O sucateamento da cultura e uma suposta morte do teatro era uma coisa que movia todos nós. A gente lidou com isso a partir de Tchekhov, mas criando um novo texto. A maior perspectiva para o futuro é ter futuro. Estar no Nascente é falar de educação e cultura ao mesmo tempo, porque ele tem essa função dentro da USP, falar sobre a produção artística dos alunos que estão aqui. Dois temas que no momento estão no alvo, literalmente, das políticas públicas ou das anti-políticas públicas. Por isso acho que o maior plano para o futuro é resistir por esses vieses da cultura, da arte, da educação. É o tema não só da peça [teatral], mas da nossa vida.”

Gabriel Schincariol Cavalcante – A história dos homens

“São questões cotidianas e básicas que eu gosto muito de trabalhar porque vemos no dia-a-dia, principalmente em São Paulo, com as multidões. São temas muito palpáveis e concretos. Se eu pego uma menina que está jogando bola no condomínio, isso pode ser construído em uma imagem. Não sei até onde isso foi relevante na escolha, mas fico muito feliz de ter sido escolhido com a outra premiada. Que histórias cotidianas possam ser cada vez mais lidas e escritas, pois  na sua aparente superficialidade elas têm muito a dizer.”

– Design

Vencedores na categoria audiovisual ao lado dos jurados Clice Mazzilli e Bruno Pompeu, à direita. Karen Laurindo, a terceira da esquerda para direita, representou os colegas no depoimento sobre o trabalho Eco Oca. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

Karen Laurindo (em nome dos colegas Ah Ro Yoon, Luisa Vasconcellos Rodrigues, Nikolas Eisuke Suguiyama e Andre Junior Youn) – Eco Oca

“Nosso projeto tem um viés mais voltado para a sustentabilidade. E, para ser mais acessível para as pessoas, optamos pelo padrão de cores CMYK, que qualquer um pode encontrar. Trabalhamos em várias áreas, tanto na questão do projeto de produto, como no projeto gráfico e na identidade visual, desenvolvendo pesquisas na área e de campo. Tem também o intuito mais social, seja para auxiliar as pessoas que buscam uma renda extra, ou na parte de reciclagem.”

Artes Visuais

Da esquerdar para a direita: o mestre de cerimônias Mario Sant, o vencedor Victor Maia e o coordenador do Nascente USP Cláudio Mubarac. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

Victor Maia

disparate (confusão) | mangue | Sem título (porta do cemitério)

“Faz muitos anos que estou aqui e finalmente consegui mandar alguns trabalhos, talvez mais maduros e bem resolvidos. Fiquei muito feliz com eles. Eu gosto de pintura e há muito tempo trabalho com esse mesmo tipo de material, nessa mesma lógica pictórica. Então tem sim um avanço, um lugar em que você vai caminhando. Às vezes você se dá mal nessa caminhada, mas aquele erro que teve, na verdade tem um caminho também. É uma loucura e, para mim, é uma novidade também! Fico muito feliz de ter ganhado porque é meu último ano, minha última chance de participar enquanto aluno da graduação. E em algum lugar acho que tem uma evolução a partir do que a gente trabalha desde o primeiro ano, concebendo as coisas com cada vez mais complexidade.”

Serviço

As inscrições para o Programa Nascente de 2020 estão previstas para sem abertas no segundo trimestre do ano que vem. As informações e regulamento sobre as premiações anteriores estão disponíveis em https://prceu.usp.br/nascente/


Foto de Capa – Trecho da peça Um homem é um homem, vencedora da categoria Artes Cênicas 2018. Foto – Divulgação PRCEU / Fernando Molina.

Nascente USP 2019 consolida revelação e premiação de talentos universitários
    
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