Exposições rememoram os acontecimentos de 1968 na rua Maria Antonia

Mostras abertas na semana “Ecos de 1968 – 50 anos Depois” revelam um vasto material histórico com fotografias, documentários, documentos e reproduções de jornais da época

Por Sandra Lima | Foto Osvaldo José Lima
9/10/2018 11h45

Entre 2 e 5 de outubro, o Centro Universitário Maria Antonia (Ceuma) recebeu a série de eventos Ecos de 1968 – 50 Anos Depois com o objetivo de rememorar os acontecimentos conhecidos como a Batalha da Maria Antonia. Durante aquela semana, o público pôde conferir debates, leituras cênicas, intervenções artísticas , exibição de filmes e relançamentos de livros,  além de exposições que permanecem abertas para visitação gratuita.

Inaugurada em 2017, Re Vou Ver foi atualizada com fotos inéditas do fotógrafo Hiroto Yoshioka, estudante de arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP em 1968. A mostra conta ainda com o documentário “A Batalha da Maria Antonia” (2014), de Renato Tapajós, além da reprodução de jornais e revistas da época e um totem com acesso ao site da Comissão da Verdade da USP.

Em parceria com o Instituto Vladimir Herzog, Re Ve Lando é composta de imagens de dois grandes fotojornalistas brasileiros: Luiz Humberto e Orlando Brito. A exposição reproduz músicas  e informações que transportam o visitante para o contexto daquele momento permeando fotos marcantes de pessoas, lugares e fatos da época da ditadura a partir do olhar dos fotógrafos.

Camadas: narratividades visuais da violência, do Coletivo Lâmina, com curadoria de Ana Avelar, reúne objetos associados à tecnologia da imagem que se conjugam com fotos, produzindo uma instalação fotográfica imersiva. As imagens foram produzidas a partir das manifestações que ocorreram no país desde 2013, destacando não apenas a atuação impetuosa da polícia, mas também o uso da fotografia, por parte dela, para repressão dos manifestantes. O Coletivo Lâmina é formado por Gabriela De Laurentiis e João Mascaro.

Os Fuzis da Dona Tereza Carrar traz uma exposição e um documentário produzidos pelo Teatro da USP (TUSP). São fotografias, materiais gráficos e entrevistas inéditas sobre as atividades do Teatro dos Universitários de São Paulo em 1968, destacando a importante montagem dirigida pelo artista multilinguagens Flávio Império que dirigiu o então grupo TUSP em Os Fuzis da Dona Tereza.

O documentário conta com os testemunhos de Sérgio Mindlin, Maria Alice Machado, Maria Teresa Vargas, Ricardo Ohtake, Betty Chachamovitz, dentre outros.

Alteração de foco 0118, de Diego Castro, traz imagens com conduções coercitivas em manifestações e conflitos populares, nas quais o artista visual intervém utilizando cores para problematizar os diferentes discursos dos veículos de comunicação.

Sobre o  Centro Universitário Maria Antonia da USP

Construído na década de 1930, o prédio do Centro Universitário Maria Antonia, é um dos mais emblemáticos espaços da USP. Abrigou, a então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, onde estudaram e lecionaram figuras de destaque como  Alfredo Bosi, Antonio Candido, Aziz Ab’Saber, Décio de Almeida Prado, Fernando Henrique Cardoso e Florestan Fernandes.

O episódio da Batalha da Maria Antonia acabou resultando na ocupação do prédio por forças policiais e a mudança definitiva da Faculdade para o campus da Cidade Universitária. Em 1993, o local volta a ser ocupado pela USP, tornando-se o Centro Universitário Maria Antonia. Hoje, ligado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, sedia as mais variadas atividades como cursos, palestras, exposições e sessões de cinema.

Serviço

Quando | Até 28 de fevereiro de 2019 (exceto Os Fuzis da Dona Tereza Carrar, aberta ao público até 23 de dezembro)
Visitações| Terça a domingo e feriados das 10 às 18 horas
Onde | Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antonia, 258 e 294 – Vila Buarque – São Paulo-SP)
Quanto | grátis

Por Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária

Exposições rememoram 1968