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OSUSP 40 anos

OSUSP 40 anos

Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária - 09/04/2026

Orquestra Sinfônica da USP celebra seus 40 anos na Sala São Paulo

 No dia 28 de novembro, sábado, às 21h, a Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo apresenta o concerto 40 anos de OSUSP, fazendo uma homenagem especial a todos os músicos que fazem ou fizeram parte de sua história. Com participação do renomado violoncelista Antônio Lauro Del Claro e sob regência de Wagner Polistchuk, a OSUSP executará as obras Abertura (2015 – estreia), de Newton Carneiro; Concerto nº 1 para Violoncelo (1961), de Claudio Santoro; e Sinfonia nº 3 (1952), de Camargo Guarnieri.

Sobre a OSUSP

A Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo foi fundada em 1975 e é considerada hoje uma das melhores orquestras universitárias da América Latina. Desde seu início, a OSUSP tem atuado ativamente na genuína missão de estimular a educação e a cidadania através da disseminação da cultura por meio da promoção de concertos educativos e acessíveis nas principais salas e teatros de São Paulo e dentro da própria Universidade. A OSUSP busca fomentar o gosto pela música, passar o legado de grandes mestres universais, apresentar novas propostas, estilos, e alcançar a comunidade intra e extramuros da Universidade, encantando com sua arte, demonstrando que a herança cultural, a criação e inovação musical têm sido pilares para que a Orquestra seja um componente vital da ligação da academia com a sociedade.

Algumas Palavras

Wagner Polistchuk (Brasil), regente

Diretor Artístico da Camerata Antiqua de Curitiba de 2009 a 2011, Wagner Polistchuk foi Regente Adjunto da Orquestra Sinfônica de Santo André nos anos de 2007 e 2008, Diretor Artístico e Regente Titular da Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina em 2003 e 2004 e Regente Principal da OSUSP. Tem se apresentado à frente de importantes orquestras brasileiras, como a Osesp, as sinfônicas do Theatro Municipal de São Paulo, da Bahia, de Porto Alegre, a Amazonas Filarmônica, do Teatro Nacional de Brasília, do Mato Grosso e de São Bernardo do Campo, e também no exterior, como a Sinfônica de Mendoza. Na Argentina; a Sinfônica Nacional e de La Ciudad de Los Reyes, em Lima no Peru; e a Hermitage Orchester, na Suíça. Atuou como regente stand-by durante a Turnê Brasil 2011 da OSESP, orquestra em que ocupa, desde 1985, a posição de trombone solo. Em 1990, especializou-se como solista na Alemanha com Branimir Slokar, um dos mais conceituados professores de trombone da atualidade. No Brasil, paralelamente as atividades como trombonista, iniciou estudos de regência, tendo como primeiro professor o Maestro Eleazar de Carvalho. Outros maestros contribuíram para a sua formação, como Dante Anzolini, Ronald Zollmann, Andreas Spörri, Roberto Tibiriçá e Kurt Masur. Destacou-se em diversos concursos, como o Internacional de Trombones Giovani Concertisti, em Porcia, Itália (1997); o V Concurso Latino-Americano de Regência Orquestral  (1998)  — obtendo o segundo lugar; o Concurso Internacional de Regência Prix Credit Suisse, em Grenchen, Suíça (2002); e no Concurso  para  Jovens  Regentes  Eleazar  de  Carvalho  (2002),  onde  conquistou  o primeiro  lugar.  Como regente, tem dado especial atenção  ao  repertório contemporâneo sendo responsável pela estreia brasileira de obras de importantes compositores do século XX, como James MacMillan, John Adams, Boris Tschaikovsky, Gerald Finzi, Toru Takemitsu, John Corigliano e Almeida Prado. Polistchuk é artista representante dos trombones Conn-Selmer e lançou o CD Collectanea, com obras para trombone e piano de compositores brasileiros em primeiras gravações mundiais em 1999; em 2007, o CD Versos Brasileiros, onde rege a Camerata Antiqua de Curitiba; e, em 2013, três CDs conduzindo a OSUSP.

Antonio Lauro del Claro (Brasil), Solista

“Del Claro é um dos instrumentistas mais brilhantes de sua geração e um dos mais sinceros intérpretes da literatura musical do violoncelo”. Assim se referia Pierre Fournier, o grande violoncelista e professor de Del Claro.

Considerado um dos instrumentistas mais completos do Brasil, que com seu virtuosismo se destaca por igual no terreno da música de câmara e no concerto como solista de orquestra. A crítica especializada brasileira e do exterior reconhece sua capacidade de captar toda a substância musical das obras, através de sua postura austera, técnica aprofundada e convicção interpretativa. Como solista atua junto às maiores orquestras brasileiras, nos importantes centros culturais do país. Foi solista convidado da Orquestra de Câmara de Moscou, quando em tournée pelo Brasil. Tem atuado também na França, Suíça, Itália, Alemanha, América Latina, México e EUA. Como professor, fez parte do corpo docente da UNICAMP, foi professor convidado da Fundação Carlos Gomes de Belém – Pa, ministrando aulas a bacharelandos em Violoncelo e monitores . Realiza seminários de violoncelo e masterclasses em diversas cidades do Brasil e EUA, participando também dos mais importantes festivais de música tais como: Festival Internacional de Curitiba, Festivais de Inverno de Campos do Jordão, Festival de Música de Londrina, Festival de Música de Juiz de Fora, Festival Música nas Montanhas de Poços de Caldas e Femusc.

“O violoncelo é um dos instrumentos privilegiados que não resiste senão é tratado aristocraticamente, como o fez Antonio Lauro Del Claro, o músico que tocou para nosso encantamento, demonstrando sua visão musical e sua sensibilidade refinada.” La Suisse – Genebra – Suíça

Sobre as Obras

Newton Carneiro (1962) | Abertura (2015 – estreia)

 Newton Carneiro nasceu em São Paulo e foi aluno da Escola de Comunicações e Artes da USP onde estudou com os professores Henrique Pinto (violão), Perez Dworeski (viola), Mário Ficarelli (composição) e Roberto Sion (saxofone e improvisação). Integra o naipe de violas da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo desde 1981 e o da Orquestra Jazz Sinfônica desde 1989. Desde 1988 vem atuando como produtor musical, compositor e arranjador em seu estúdio sediado em São Paulo. Produziu a música para diversos documentários, programas de TV e filmes para cinema tais como Perfume de Gardênia, do cineasta Guilherme de Almeida Prado, e a trilha sonora do programa Café Filosófico, da TV Cultura. Produziu a música para o espetáculo de Natal do Coral do HSBC de Curitiba. Compôs e elaborou arranjos para as orquestras Jazz Sinfônica, Bachiana Chamber Orchestra, Sinfônica de São José dos Campos e OSUSP. Dentre os discos produzidos destacam-se os CDs Raio X Brasil (Racionais Mcs) e Traficando Informação (MV Bill). Nos anos 80, organizou o grupo Ânima e, no final da década de 90, passou a integrar o grupo Tetralogia. Segundo o próprio compositor, na Abertura: “a ideia foi retratar um pouco da experiência daquele que se expõe no palco, com base na minha própria experiência ao longo de tantos anos. A peça tem três momentos: o primeiro deles, intitulado Luz, Câmera…, começa com um pulso (base, chão), sobre o qual o trompete se apresenta e conclui com o pulso se perdendo. O segundo segmento, intitulado Astronauta, insinua a falta de gravidade. O terceiro, Maracatu, dá uma ideia de festa e de balanço brasileiro. Estes três segmentos são interligados, embora possam ter vida independente. No final da obra, há uma recapitulação que engloba todos os segmentos.” Esta obra dura aproximadamente 11 minutos e usa, no primeiro movimento, o djembê, tambor africano pouco convencional na linguagem orquestral.

Cláudio Santoro (1919-1989) | Concerto nº 1 para Violoncelo (1961)

Cláudio Franco de Sá Santoro nasceu em Manaus e, juntamente com Villa-Lobos e Camargo Guarnieri, está entre os compositores brasileiros mais importantes do século XX. Santoro foi menino prodígio, destacando-se como violinista, compositor, regente, educador e pesquisador musical. Sua obra oscila entre as influências do folclore e as experiências musicais da vanguarda, especialmente o dodecafonismo. Foi aluno de Hans Joachim Koellreutter, no Brasil, e de Nadia Boulanger, na França. Fundou e dirigiu as Orquestras de Câmara da Rádio MEC, da Universidade de Brasília, da Rádio Club do Brasil e do Teatro Nacional de Brasília. Foi convidado para reger as mais importantes orquestras do mundo, recebendo inúmeros prêmios no Brasil e no exterior. Sua carreira como professor incluiu a docência e coordenação de música da Universidade de Brasília, além da docência em regência e composição da Escola Superior de Música de Heidelberg, na Alemanha. O Concerto para Violoncelo foi dedicado a Aldo Parisot que realizou a estreia da obra com a Sinfônica de Buffalo. Em 1986, coube a Del Claro a primeira audição latino americana com a Sinfônica do Teatro Nacional, em Brasília, sob a regência de Simom Blech, a qual contou com a presença do compositor. Segundo o próprio Santoro: “O violoncelista Aldo Parisot havia me pedido para escrever um Concerto para Violoncelo e esse Concerto traduz muito na sua atmosfera todo o drama que eu e a cidade de Berlim sofriamos naquela época, foi uma época difícil para a DDR e é bem compreensível o fato deles terem fechado o Muro, mas isso é ao mesmo tempo trágico. Nem sempre as coisas que entendemos são bonitas, às vezes na vida somos obrigados a cortar um órgão para poder sobreviver. A DDR não tinha outra solução dado o que estavam fazendo, esgotando a economia do país através de Berlim, que era uma cidade aberta. Eu vi como isso era feito, ninguém me contou. (…) eu estava sozinho e toda esta atmosfera de desilusão com tudo que eu tinha na época, das coisas erradas daquele tempo.” Santoro faleceu em Brasília, em 27 de março de 1989, regendo o ensaio geral do primeiro concerto da temporada em homenagem ao Bicentenário da Revolução Francesa. Dentre as várias homenagens póstumas recebidas, seu nome foi dado ao Auditório de Campos de Jordão e ao Teatro Nacional de Brasília, que passou a se denominar Teatro Nacional Cláudio Santoro.

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993) | Sinfonia nº 3 (1952)

Camargo Guarnieri nasceu em Tietê, no interior do Estado de São Paulo. Seu pai era um imigrante siciliano, barbeiro e flautista. Sua mãe, de tradicional família paulista, tocava piano. Com a mudança da família para São Paulo, Guarnieri passou a estudar piano com Ernani Braga e Antônio de Sá Pereira e harmonia com o maestro Lamberto Baldi, recém-chegado da Itália. Em 1928, foi apresentado a Mário de Andrade, que se tornou seu mestre intelectual. Com ele discutia estética e ouvia obras e dele tomava livros emprestados. Em 1935, a Prefeitura de São Paulo criou o Departamento de Cultura, cujo primeiro diretor foi Mário de Andrade, que então convidou Guarnieri para atuar como regente do Coral Paulistano. Posteriormente, Guarnieri assumiu a regência da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Em 1938, foi selecionado em concurso pela Comissão do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo e recebeu bolsa para estudar em Paris. Entre 1942 e 1943, Guarnieri passou uma temporada de seis meses nos EUA, como bolsista do Departamento de Estado, e promoveu sua música em concertos, entusiasmando Serge Koussevitzky, regente da Sinfônica de Boston, que o convidou para reger a Abertura Concertante, sua primeira obra sinfônica de maior fôlego. Em 1950, Guarnieri publicou a Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil, na qual condenou a técnica dodecafônica de composição, com referências veladas a Koellreutter, líder do grupo Música Viva. Em 1970, modificou sua postura, combinando material de danças populares urbanas (sambas e choros) com 12 notas serialistas em seu Quinto Concerto para Piano. Em 1975, assumiu a direção da recém-criada Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (OSUSP), cargo que exerceu até o final de sua vida. Com a OSUSP, Guarnieri estreou várias de suas obras e para ela escreveu muitas delas, especialmente as obras para cordas, formação inicial da OSUSP. Suas composições somam mais de 700 obras e ele é, provavelmente, o segundo compositor brasileiro mais executado no mundo, superado apenas por Villa-Lobos. Formou discípulos, e dentre seus alunos de maior destaque estão os compositores Osvaldo Lacerda, Vasconcellos Correa, Almeida Prado e Aylton Escobar. O acervo pessoal de Guarnieri está depositado no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP. A Sinfonia nº 3 foi composta para o concurso de composição organizado pelo Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, em função das comemorações do quarto centenário da Cidade. A obra foi classificada em primeiro lugar, recebendo o Prêmio Carlos Gomes. Guarnieri deu significação simbólica a esta sinfonia, representando a presença dos três grupos formadores da nacionalidade brasileira: o elemento indígena aparece com o Teirú, melodia dos índios parecis, e os dois outros por temas do próprio compositor. Sobre a Sinfonia nº 3, Vasco Mariz afirmou: “Considero-a talvez o ponto mais alto da música orquestral de Guarnieri. É a grande música, com o autor já em plena posse de todos os meios de composição. A maturidade artística completa afinal chegara”.

Edson Leite

OSUSP 40 anos